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Como caçar meteoritos?

 

O melhor local para procurar meteoritos é onde ja foram encontradas outros exemplares. Essas regioes são conhecidas como área de espalhamento. Nos EUA há muitas áreas conhecidas onde cacadores de meteoritos regularmente procuram como Franconia e Gold Basin. No Brasil também há algumas áreas, como a do meteorito Uruaçu em Goiás ou Santa Catharina no RS.

Como método de busca, varia de região para região. Em áreas como desertos e árticos a inspeção visual é o melhor método pois um meteorito recém-caído tem uma crosta escura que se destaca no ambiente mais claro como areia ou gelo. Em outras regioes é mais comum o uso de detectores de metais. Outra fato é que nessas regiões o efeito do ambiente terrestre é muito menos danoso ao meteorito e o mesmo apresenta suas características externas por muito mais tempo. Quando um meteorito cai em ambientes úmidos e de bastante vegetação, a sua descoberta fica muito dificultada e à medida que o tempo passa suas características ficam cada vez mais confundidas com as das rochas terrestres.

 
O aspecto externo de um meteorito é bem característico, mas é preciso de um pouco de prática para conseguir diferenciar. Características como crosta de fusão ou mesmo regmaglitos (pequenas marcas parecidas com digitais) são marcantes. Procure estudar o máximo de fotos de meteoritos que puder para se habituar a essas caracteristicas. Melhor ainda seria manusear também espécimens verdaderiamente reconhecidas como meteoritos.
 
Além do aspecto externo, alguns meteoritos são bem mais pesados do que rochas terrestres. Os sideritos, devido a sua constituição metálica, são os que apresentam maior peso. Mesmo os meteoritos rochosos, condritos, sao relativamente mais pesados do que as rochas terrestres.
 
Praticamente todos os meteoritos sao atraídos por um ímã. Desde os sideritos (100% metal - liga ferro-niquel), como os condritos (H, L e mesmo LL). Siderolitos (palasitos ou mesosideritos) também apresentam uma grande parcela de ferro em sua constituição. Porém, alguns tipos mais raros como os acondritos nao são atraídos por ímãs, mas a probabilidade de se encontrar um tipo raro é muito baixa
 
Uma ferramenta  fácil de se fabricar é um ímã agregado a algum tipo de bastão. Procure um ímã forte (terra rara) e adapte a um bastão (para facilitar o uso). Procure por candidatos com cores escuras e que aderem ao ímã. Há alguns bastões retráteis vendidos comercialmente que podem ser perfeitamente utilizados para busca de meteoritos.
 
 
Ferramenta tipo bastão retrátil com imã forte na ponta
 
 
O melhor e mais utilizado instrumento para busca de meteoritos são os detetores de metais.
 
 
Detector de metal Whites GMT Gold Master E
 
Há diversos tipos de detectores, alguns mais apropriados a busca de meteoritos. (pesquise bem antes de sair comprando) do que outros. Há basicamente dois tipos básicos de detectores para usos distintos. O tipo mais comum tem uma certa inteligência para desprezar pequenas quantidades de metais. Esse tipo é usado por pessoas ou hobbistas que procuram moedas ou reliquias. Para tanto, o detector apresenta uma certa "inteligência" para detectar  moedas e objetos de determinados tipos desprezando pequenas quantidades que o detector considera como lixo ou refugo. O outro tipo é o mais sensivel pois trabalha com uma frequencia maior. É o detector empregado na procura de ouro e esse é o  mais indicado para a procura de meteoritos. Como modelos indicados posso citar o Whites GMT, especifico para ouro. Não que os detectores para "moedas" ou "relíquias" não possam ser utilizados. Com certeza irão indicar a existência de de sideritos (meteorito metálico), mas pode falhar na detecção dos condritos, que tem uma constituição muito menor de ferro. Detectores de metais também permitem a busca de meteoritos enterrados e que nao seriam descobertos por inspeção visual.
 
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Uma vez identificado um provável candidato que é atraído por um ímã, raspe uma parte do mesmo e verifique o interior. Se for metálico (brilhante como ferro polido), é possivel que seja siderito. Um teste com reagente a niquel DMG é indicado para diferenciação de possíveis refugos de ferro de origem humana. Vale salientar que o estado do ferro em estado natural é na forma de minerais e não tem o aspecto do ferro como conhecemos. Assim, se encontrar um candidato com aspecto metálico só há duas opções: origem humana ou extra-terrestre.
 
Se o candidato não tiver aspecto metálico e for do tipo rochoso (condrito), faça uma seção e verifique se a amostra apresenta pequenas granulações metálicas. Se existir, a probabilidade de ser um meteorito condrito é grande. Veja a foto de uma fatia do Franconia e perceba essas características.
 
 
 Observe os grânulos prateados evidenciando a presença de ferro nos condritos
 
Finalmente, para se ter certeza do achado ou mesmo para classificar, é necessário enviar uma amostra (geralmente 20g) a algum instituto que faça esse tipo de trabalho. Não creio que enviar a um geologo resolva alguma coisa. Para fazer analises de meteoritos são necessários equipamentos sofisticados e mesmo aqui no Brasil as universidades enviam amostras para o exterior a fim de  conseguir uma classificação e registro oficial.