Meteorito Fezzou 002, classificado como angrita, uma das classes mais raras e cientificamente relevantes de meteoritos conhecidos. O exemplar foi encontrado em setembro de 2023 no centro-sul do Marrocos, nas proximidades da vila de Lahfira, nas coordenadas 30.794°N, 4.861°W, e posteriormente adquirido diretamente do descobridor por Mark Lyon. Trata-se de um meteorito ígneo diferenciado, originado de um corpo planetário primitivo, associado aos estágios iniciais de formação do Sistema Solar.
O material corresponde originalmente a uma única pedra, posteriormente fraturada em duas partes, com massa total aproximada de 12,4 kg, apresentando crosta de fusão negra, fina e vesicular, bem preservada. O interior é fresco e compacto, sem presença de vesículas, o que reforça sua excelente condição de conservação tanto para fins científicos quanto colecionáveis.
Do ponto de vista petrográfico, o Fezzou 002 exibe textura allotriomórfica-granular, com grãos anédricos intertravados e tamanho médio em torno de 350 micrômetros. Sua mineralogia é dominada por Al-Ti-augita, olivina rica em cálcio, kirschsteinita e anortita praticamente pura, acompanhadas por minerais acessórios como espinélio hercynítico do tipo pleonaste, troilita e raras ocorrências de ferro metálico. Lamelas de kirschsteinita são observadas no interior de alguns grãos de olivina, além de agregados poliminerálicos ricos em piroxênio e associações de kirschsteinita com olivina, atingindo até cerca de 3 mm.
As análises geoquímicas e isotópicas confirmam plenamente sua classificação como angrita, incluindo dados de isótopos de oxigênio com valores de Δ17O em torno de –0,10‰, característicos desse grupo extremamente restrito de meteoritos. A classificação foi realizada por pesquisadores e laboratórios de referência internacional, com amostras de comparação depositadas em instituições acadêmicas e governamentais.
O Fezzou 002 representa um exemplar de altíssimo interesse científico e colecionável, uma vez que angritas correspondem a menos de 1% dos meteoritos conhecidos, sendo fundamentais para o estudo da diferenciação planetária precoce e dos processos ígneos que ocorreram nos primeiros milhões de anos do Sistema Solar. Trata-se de uma peça excepcional, com procedência documentada, histórico conhecido e elevado valor para colecionadores avançados, museus e instituições de pesquisa.